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Antibióticos inalatórios durante a ventilação mecânica

Introdução
O número crescente de casos de pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) por patógenos multirresistentes, especialmente Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter spp e Staphylococcus aureus (MRSA), tem comprometido o prognóstico de pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTI) e é um dos principais desafios a ser vencido na melhora da qualidade do atendimento a esta população. Além de medidas preventivas, de diagnóstico e tratamento precoces, outras estratégias vêm sendo tentadas, entre elas o uso de antibióticos por via inalatória. Na verdade, o interesse nesta estratégia é antigo, com artigos publicados na década de 70 avaliando a capacidade da antibioticoterapia inalatória prevenir a ocorrência de PAV. Apesar de alguns resultados animadores, um estudo publicado no New England Journal of Medicine (1975), em que polimixina B foi administrada por via inalatória a 292 pacientes para profilaxia de pneumonia, mostrou aumento da ocorrência de pneumonia por patógenos resistentes, bem como aumento da mortalidade, desencorajando, naquele momento, novos trabalhos nesta área.

Nos últimos anos, entretanto, o interesse pela antibioticoterapia inalatória em pacientes em ventilação mecânica tem novamente aumentado. Teoricamente, a oferta adequada do antibiótico no local da infecção tem algumas vantagens: 1. a concentração local é maior (o que pode ser necessário para a erradicação do patógeno num ambiente de secreção espessa, aparelho mucociliar alterado); 2. a toxicidade sistêmica é menor; 3. não há comprometimento da flora de outros sítios, sobretudo a intestinal, o que pode reduzir a ocorrência de outras infecções, como a colite pseudomembranosa. Os trabalhos têm tentado mostrar que os antibióticos administrados por aerossol atingem concentrações adequadas nas vias aéreas e no parênquima pulmonar e avaliar impacto clínico desta conduta, isoladamente ou em associação com a via sistêmica, na PAV e na traqueobronquite associada à ventilação mecânica (TAV).

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